Palestrante do evento de Psicologia Jurídica: Bruno Feital Barbosa Motta
18 de junho de 2018

Mesa redonda: Psicologia e povos indigenas – ENJUPSI 2018

Mesa redonda: Psicologia e povos indígenas - ENJUPSI 2018
O tema do Enjupsi desse ano é “Psicologias e compromisso social: uma perspectiva científica, ética e política”, e levando em conta o ponto de vista que abrange a temática do evento, seria inevitável não falar da aproximação da Psicologia e a temática indígena. Com a entrada cada vez maior da Psicologia nas políticas públicas e a interiorização da profissão, tem sido necessário pensar a atuação com essas populações. E reconhecendo a importância do tema para profissionais e futuros profissionais, a AJEPSI convida duas pessoas de grande renome no campo para liderar nossa mesa redonda de “Psicologia e povos indígenas”, Bruno Simões e Ailton Krenak.
                Bruno Simões Gonçalves, psicólogo, mestre e doutor pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP e pós doutorado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ. Além do currículo vasto e altamente qualificado, atualmente, Bruno é organizador da rede Psicologia povos indígenas, quilombos, povos tradicionais, de terreiro e em luta por território. É coordenador do núcleo Psicologia e Povos tradicionais do Conselho Regional de Psicologia do Estado de São Paulo e membro da Associação Brasileira de Psicologia Social, núcleo São Paulo.
                Em âmbito geral, a Psicologia do senso comum é sempre relacionada com a ideia de saúde mental e essa saúde vai muito além do mundo eurocêntrico, do homem branco e de classe média, ela é necessária para as minorias. É necessária para os povos indígenas. Entretanto, não é o que acontece, esse mesmo senso comum que delimita a psicologia, também relativiza as diversas realidades indígenas no Brasil.
                 Para Bruno Simões, a Psicologia teria que passar por uma “descolonização dos saberes do conhecimento” para que de fato, possa ser uma ciência voltada para os temas brasileiros e que respeite os modos de vida diferentes do que é imposto. Na atualidade, as falhas na formação e conhecimento sobre a ideia de bem viver dos povos indígenas são os grandes desafios para os psicólogos.
              Outro convidado para nossa mesa é, Ailton Krenak que nasceu no Vale do rio Doce (MG) em 1954, e aos 9 anos de idade, foi retirado de seu terreiro, junto com seu povo, e levado dentro de um caminhão para uma terra muito distante e distinta da sua. Aos 17 anos Ailton migrou com seus parentes para o estado do Paraná, aonde se alfabetizou aos 18 anos e se tornou produtor gráfico e jornalista. Na década de 1980 passou a se dedicar exclusivamente à articulação do movimento indígena. Atualmente, é considerado uma das maiores lideranças do movimento indígena brasileiro, possuindo reconhecimento tanto nacional quanto internacional. Ademais, Krenak é ambientalista, escritor e foi titulado pela Universidade Federal de Juiz de Fora- UFJF como Professor Honoris Causa.
*Os Krenaks*:
Os Krenák ou Borun constituem-se nos últimos Botocudos do Leste, nome atribuído pelos portugueses no final do século XVIII aos grupos que usavam botoques auriculares e labiais. São conhecidos também por Aimorés, nominação dada pelos Tupí, e por Grén ou Krén, sua auto-denominação. O nome Krenák é o do líder do grupo que comandou a cisão dos Gutkrák do rio Pancas, no Espírito Santo, no início do século XX. Localizaram-se, naquele momento, na margem esquerda do rio Doce, em Minas Gerais, entre as cidades de Resplendor e Conselheiro Pena, onde estão até hoje, numa reserva de quatro mil hectares criada pelo SPI, que ali concentrou, no fim da década de 20, outros grupos Botocudos do rio Doce: os Pojixá, Nakre-ehé, Miñajirum, Jiporók e Gutkrák, sendo este o grupo do qual os Krenák haviam se separado.
Os Krenák pertencem ao grupo lingüístico Macro-Jê, falando uma língua denominada Borun. Apenas as mulheres com mais de quarenta anos são bilíngües, enquanto os homens, jovens e crianças de ambos os sexos são falantes do português.
“No dia em que não houver lugar para o índio no mundo, não haverá lugar para ninguém.” (Aílton Krenak ; do povo Krenak, de Minas Gerais)
Pode-se perceber que de fato, a Psicologia e os povos indígenas estão extremamente interligados e essa ligação, vai além de uma qualidade de vida para a minoria, é um compromisso social de profissionais e futuros profissionais. Nossa primeira mesa rendonda está esperando vocês no ENJUPSI.
Referências:
KRENAK, Ailton. A potência do sujeito coletivo.  2018. Disponível em: <http://ailtonkrenak.blogspot.com>. Acesso em: 04 jul. 2018.
PARAISO, Maria Hilda Baqueiro. Krenak. Povos indígenas no Brasil, 1988. Disponível em:  <https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Krenak>. Acesso em: 04 jul. 2018.
PAVAN, Bruno. Para atender povos indígenas, Psicologia tem que passar por uma descolonização do conhecimento. SinPsi, 2018. Disponível em: <http://www.sinpsi.org/index.php/noticia/index/id/6082>. Acesso em: 04 jun. 2018.

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